Trampolim Startup Café: um salto para a humanidade

Trampolim Startup Café: um salto para a humanidade

As Marianas foram conhecer o café mais conceitual de São Paulo, que emprega pessoas com dificuldades e apoia os sonhos de seus funcionários

por Mariana Grosche e Mariana Veltri

“Um dia cheguei em casa, quiseram levar meu carro, deixei levarem, achava que era um roubo normal…” Foi aí que se iniciou a reviravolta na vida de Carlos Daniel Escalona Barroso, que levava uma vida normal na Venezuela.“Começaram a falar sobre meu trabalho, que sabiam os movimentos da minha família, o fato das coisas do trabalho em si. Aí fiquei com medo: pensei: é uma coisa séria…”

Jornalista na administração pública, trabalhou como gerente de produção de um canal da Venezuela e era uma pessoa de confiança de um alto escalão do governo. Carlos assinava os orçamentos do mês, quando então percebeu que as contas não estavam batendo. Comunicou seu superior a respeito, mas o mesmo pediu que ficasse quieto e apenas assinasse.

Carlos não queria se envolver nesses tipos de trâmites e tentou investigar a situação . Como um cala-boca, foi oferecida uma propina para que ele não se opusesse ao esquema. Desde então não apenas Carlos, mas toda a sua família foi envolvida numa perseguição política que desembocou na chegada ao Brasil. Isso tudo parece um roteiro, mas é a história real de um jornalista que teve que deixar tudo para trás, virar a página e se descobrir chef de gastronomia.

Com a ameaça à família, Carlos e seus irmãos mandaram os pais ao Equador e cada irmão se refugiou em terras estrangeiras. O então jornalista chegou ao Brasil com apenas 40 dólares no bolso, em Manaus. Trabalhou 6 meses em Fortaleza, até que decidiu vir para São Paulo em busca de oportunidades. Foi aí que conheceu a ONG Estou Refugiado e o encaminharam para uma entrevista de emprego no Hotel Ibis, onde funcionaria um restaurante, no qual trabalharia como auxiliar de cozinha, já que sempre gostava de cozinhar nos encontros de amigos na Venezuela.

Hoje tem emprego fixo, com carteira assinada, mora no Tatuapé e participa assiduamente dos projetos sociais da ONG. A vida de Carlos foi uma das muitas vidas transformadas pelo Trampolim Startup Café.

Com a proposta de empregar refugiados e pessoas com dificuldades, que não têm por onde começar, essa empresa funciona como restaurante, café e coworking. As contratações funcionam a partir de parcerias também com outras ONGs, como AfroBusiness, Casa 1 e Centro Social Menino Jesus. Além das parcerias, o Trampolim vende mercadorias fornecidas por nanoprodutores, contribuindo com a economia local da periferia da capital paulista.

Para o Hotel Ibis, foi uma grande mudança. “O hotel está completando 15 anos esse ano. Era bem padronizado até 2 anos atrás. Com a mudança de gestão, essa padronização caiu. A partir disso, a gente decidiu pensar em um projeto que rentabilizasse e utilizasse melhor esse espaço (do Trampolim), que ficava sempre fechado, era ocioso”, explica João Clímaco, gerente do Trampolim e idealizador do projeto.

Quem ganha com isso são os clientes, que podem provar verdadeiras preciosidades caseiras, por um preço justo. “Fizemos uma degustação coletiva e elegemos os melhores. Acho que quando as pessoas sabem a procedência do que estão comendo, muda até o sabor, a comida fica melhor”, completa João.

Observa-se essa preocupação na elaboração do cardápio. Os próprios funcionários do local assinam os pratos oferecidos. A diversidade é imensa, desde pratos de diferentes nacionalidades a produtos regionais. Os alimentos fornecidos pelos nanoprodutores levam seus nomes, como o delicioso pudim de paçoca da Fabi.

O Café é apenas um trampolim para os funcionários. “Uma das coisas que a gente fala, é que as pessoas não têm que necessariamente pensar em trabalhar aqui, ou em outro restaurante pro resto da vida, mas que elas aproveitem a gente pra conseguirem realizar os sonhos dela”, diz o idealizador.

Sem contar o espírito de equipe entre eles. Um ajuda o outro nas funções. Os mais velhos costumam ajudar os novatos na adaptação do ambiente. “Minha vida mudou muito depois que eu vim pro Trampolim, principalmente porque eu ganhei uma família”, diz Mônica Lemos, que sonha em ter sua própria cozinha industrial.

Depois de uma reviravolta em sua família, perder sua cozinha industrial e passar por dificuldades, aliou-se à ONG AfroBusiness e recebeu a proposta para trabalhar no Café.“Voltei a estudar, já fiz vários cursos, tô fazendo inglês agora. Ano que vem, se Deus quiser, vou pagar minha faculdade de gastronomia”, sonha Mônica.

Essa experiência da cozinha no Startup, Mônica  leva para as palestras da ONG que ocorrem na periferia, e é considerada um exemplo de sucesso. “Procuro passar algo positivo: vamo que dá, gente!”, conta animada.

A troca de experiência entre refugiados e as pessoas da periferia é tão enriquecedora que torna o Trampolim uma promissora em inovação e humanista. Vale conferir e bater um papo!!

Serviço:

Trampolim Startup Café

Rua da Consolação, 2303 – Consolação, São Paulo – SP, 01301-000

Horário de funcionamento: das segundas-feiras aos sábados, das 11h30 às 22h30

Telefone:  (11) 3123-7755

Facebook: @trampolimstartupcafe

Movimento vegano é discutido em meio universitário

Movimento vegano é discutido em meio universitário

O tema veganismo fez parte da programação de palestras na Universidade Mackenzie

por Mariana Grosche

A ideologia vegana é cada vez mais comum entre os jovens, e o tema foi apresentado na Semana da Biologia 2018 da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que ocorreu entre os dias 14 e 18 de maio, através da palestra “Uma Jornada pelo Veganismo”, que ocorreu nesta quarta-feira (16). A palestrante Deborah Koprick, também é aluna do 3º semestre de biologia na faculdade.

Deborah é vegana há 7 anos, e afirma que seu corpo e sua mente mudaram muito após aderir à causa. De acordo com ela, o movimento vegano é estruturado por três pilares fundamentes: a causa dos animais, o respeito pelo meio ambiente, e a busca pela saúde física, mental e emocional.

A questão da defesa dos animais é o fator que mais gera debates. Por razões éticas, o veganismo boicota qualquer atividade que envolva a exploração de animais, como a indústria de carnes e produtos, tais como ovos, mel, leite; a indústria de tecidos que trabalha com couro, lã, camurça, seda e peles no geral; a indústria de comésticos, produtos de higiene e limpeza que tenham sido testados em animais; esportes e práticas de entretenimento que envolvam animais, como o circo, vaquejadas, pescaria etc.

“Se pararmos para pensar, a cultura de exploração dos animais é contraditória por si própria. Em uma cultura, comemos carne de vaca, mas não suportamos a ideia de vermos um pobre cachorrinho sendo devorado. Em outra cultura, endeusamos e protegemos a vaca, mas comemos o cachorro. Esta distinção não faz nenhum sentido, pois ambos, cachorro e vaca, são mamíferos e pertencem à mesma classe que nós, seres humanos”, aponta Deborah.

A dificuldade em encontrar produtos livres de interferência animal e a pouca acessibilidade financeira em relação a produtos veganos ou orgânicos são fatores obstáculos para o movimento. Deborah salienta que há muitos lugares acessíveis que vendem tais produtos, e que tudo é uma questão de informação, pois este assunto é pouco divulgado.

A Natural Tech é a maior feira vegana brasileira, que ocorre todos os anos em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. A edição de 2018 acontecerá entre 6 e 9 de junho, e é um bom exemplo de mercado vegano acessível. A feira recebe mais de 400 expositores, e conta com a presença de mais de 3 mil pessoas todos os anos. Grande parte do público visitante não faz parte do movimento vegano, mas é atraído pelos preços populares e pela diversidade de alimentos. E você, aderiria à causa do veganismo?

Agroecologia é aposta promissora para o meio ambiente

Agroecologia é aposta promissora para o meio ambiente

A IV Semana da Bio do Mackenzie conta com palestra que traz soluções para a relação entre meio ambiente e produção agropecuária

por Mariana Grosche

”Agricultura: o que você alimenta quando se alimenta? foi a temática da palestra que ocorreu nessa terça-feira (15/05), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Higienópolis, em SP. O evento faz parte da IV Semana da Biologia da faculdade, que conta com diversas atividades e cursos sobre a disciplina.

A palestra foi ministrada pelo professor Ricardo Rosário e teve como palestrantes João Adrien, representante da Sociedade Rural Brasileira, que media as relações entre produção rural e ecologia; Gabriel Menezes, porta-voz da ONG Instituto Auá; e Glenn Makuta, membro do movimento Slow Food, que figura uma contraposição à ideologia do fast food. Os pontos cruciais abordados foram: sustentabilidade, produção agropecuária, agroecologia, consumo de agrotóxicos e o desperdício em massa de alimentos.

A discussão girou em torno da necessidade vigente de um equilíbrio entre a produção alimentícia e a ecologia, a fim de conscientizar o público universitário a respeito do impacto que a compra e o consumo de determinados produtos causam no meio ambiente como um todo, uma vez que muitas empresas não cumprem o código florestal ou não comedem o uso de agrotóxicos ou compostos sintéticos.

“O maior obstáculo para chegarmos a um consenso tem sido a produção em grande escala, modelo proveniente da Revolução Industrial. A solução é uma mudança diretamente na matriz produtiva, através da admissão de uma rede de produção em pequena escala, que atenda localmente, e não globalmente”, afirma João Adrien.

Por outro lado, o Instituto Auá aposta no empreendedorismo socioambiental, que é uma modalidade do empreendedorismo que visa fortalecer os meios de produção alimentícia locais. Gabriel Menezes, porta-voz da ONG, acredita que “uma das estratégias de ecoempreendedorismo é valorizar o produto, encarecê-lo. Produtos da Mata Atlântica estão mais caros do que produtos derivados do eucalipto, por exemplo, como uma forma de preservação.”

O debate remete também ao conceito de se alimentar bem, com qualidade, fundamento que o movimento Slow Food aderiu. O movimento começou em 1986, na Itália, quando a primeira loja do Mc Donald’s foi instalada no país. Segundo Glenn Makuta, membro do grupo, as questões essenciais que devemos abordar antes de consumir um produto são: Como foi produzida sua comida?; Por quais lugares passaram essa comida?; O que você alimenta, em relação aos impactos ambientais, econômicos, étnicos e políticos quando se alimenta com tal produto?

A imoderação no uso dos agrotóxicos

A questão do abuso do uso de agrotóxicos também foi abordada, e dados alarmantes foram divulgados: 504 agrotóxicos diferentes são permitidos na produção de café no Brasil, e o país utiliza 140 tipos de agrotóxicos a mais do que a União Europeia inteira, o que prova que há um incentivo em relação à utilização destes compostos químicos.

De acordo com Glenn, “é possível manter o equilíbrio e alimentar 7 bilhões de pessoas por dia se mudarmos nossos paradigmas. Nossa comida está envenenada e existem muitos interesses práticos por trás disso. O pretexto das pragas não é conivente, pois pragas apenas são denominadas pragas dentro de um sistema econômico. Biologicamente falando, as pragas fazem parte de um ecossistema que se recicla constantemente.”

A permacultura, prática que se centra na utilização de padrões observados em ecossistemas naturais para o plantio, foi uma proposta de solução para o desequilíbrio pautado. A agroecologia, agrofloresta e ecogastronomia foram expostas como demais soluções alternativas para a problemática.

Pin It on Pinterest