Simples, sem glamour e explosivo em sabor

Simples, sem glamour e explosivo em sabor

Simples, sem glamour e explosivo em sabor

Um restaurante de entrada discreta com um enorme corredor: assim iniciei a jornada de 2020 pelo mundo da gastronomia.

São Paulo, 08/01/2020 – por Mariana Veltri

Era uma quinta-feira, 02/01, minha irmã e eu caminhávamos por Back Bay, bairro charmoso de Boston, um convite ao consumo. Passávamos por Boylston Street, uma das ruas mais badaladas da cidade, onde tem o Shaking Crab, um restaurante conhecido por ter deliciosos pratos com lagostas.

Depois de uma boa caminhada, já com os carregados casacões de frio sobre os braços, os raios de sol batiam nas águas do lago do Public Garden e refletiam em nossos rostos. Uma brisa refrescante aumentou nossa fome. Nos olhamos, decidimos frear nossa ansiedade em conhecer coisas novas e escapar das compras e redes Wi-fi liberadas para saborear a tal lagosta do Shaking Crab, já indicada até por nosso irmão, que vive no Canadá, mas foi monitorando as maninhas com seu jeitinho atencioso.

Boston encanta, com suas casas de tijolos permeando a grande cidade, cercada por formosos rios como o Charles River e o Oceano Atlântico, onde se tem o Porto de Boston, com barcos nas encostas. Um convite a uma gastronomia que vem do mar.

Éramos nós duas. Longe de nossa família, improvisando ainda as refeições. Pós-ressaca emocional, resolvemos nos presentear com uma saborosa refeição no Shaking Crab. Estávamos preparadas para encontrar um local ajeitadinho e gastar um pouco nossos dólares. Chegando lá, era uma portinha que se abria e dava para um corredor comprido com mesas pretas dispostas lado a lado, sem muito charme. Na única mesa ocupada do local, dois amigos comiam, a partir de um saco plástico, um curioso prato com frutos do mar. Nas mãos calçavam luvas e em torno do pescoço deles, sustentavam cada um, um “babador”!

Local sem cerimônias, porém a indicação que nos vinha era de que era delicioso e não poderíamos perder. Pedimos um mix de camarões com minilagostas, com essência de limão. Enquanto o prato não chegava, não resisti e pedi o acesso do Wi-fi, porém não era liberado para os “guests”. A ansiedade de estar num local sem muitos atrativos, redobrou a fome.

A garçonete forrou nossa mesa com papel e colocou o kit de luvas e guardanapos. Mais alguns minutos… estava nosso pedido em nossa frente: camarões e lagostas mergulhadas num molho dentro de um saco!

Confesso que a olhos nus não era muito atrativo. Luvas calçadas e mãos à obra! Estávamos preparadas para destroçar as pobres lagostinhas. Não tínhamos muita experiência em quebrar com as mãos as preciosas do mar. À nossa maneira, fomos tentando desmistificar seus cascos e enfim chegar na carne delas. Um ritual que começou a me incomodar, porque vinha um negócio esponjoso perto da cabeça e comecei a ficar encanada se aquilo se comia ou não. Quase nada de carne… minha irmã já imersa nas delícias do paladar, comia com mais confiança, mas um pouco desajeitada. Dei preferência em comer os camarões, que me eram mais familiares.

A cena devia estar patética! A garçonete, percebendo nossa falta de jeito, delicadamente veio nos demonstrar como se comiam as pequenas lagostas. Vestindo uma luva, pegou uma de nossas lagostas, apertou as laterais de seu corpo e retorceu. Num passe de mágica, a casca todinha da lagosta se abriu! E por dentro era muita, muita carne!

Pronto, podíamos, enfim, nos deliciar! Olhei para baixo do pano que estava amarrado ao pescoço, era um monte grande de lagostinhas desperdiçadas… o jeito era se contentar com o que ainda restava em nosso plástico! Lembrar da coreografia das mãos da garçonete… e pronto! Foi só alegria! Desfrutamos então de um prato que pode se chamar dos deuses!

Conheça lá: www.shakingcrab.com

Experiência é tudo!!

Experiência é tudo!!

Experiência é tudo!!

por Juliana Delgado – Santiago – Chile, 22/11/2018.

Então lá fomos nós, eu, minha mãe e irmã, comemorar os 70 anos da mamma pela terra de Neruda! Foi simplesmente incrível, não só por estarmos prestes a realizar uma verdadeira saga gastronômica, repleta de bons vinhos chilenos, cevices e frutos do mar, mas principalmente por estarmos juntas, pela primeira vez, compartilhando momentos únicos de afeto e fortalecendo ainda mais os nossos laços. Acredito, cada vez mais, que esse é o tipo de experiência que fica, transforma e que levamos para a vida inteira. Hummmm, já deu até aquele “gostinho de quero mais!”.

Queríamos passar os quatro dias que tínhamos de uma forma tranquila, para ficarmos bem a vontade, poder passear a pé até o centro da cidade e, ao mesmo tempo, curtir o toque boêmio de Santiago. Então nos hospedamos no bairro de Lastarria, uma região super charmosa, aconchegante e bem localizada.

Lastarria é cativante, cercada de verde e com uma graciosa feirinha de artesanato e artistas de rua.  É uma região que transpira arte e cultura e ainda conta com restaurantes, bares e cafés deliciosos para os mais variados gostos e bolsos. E foi exatamente lá onde nosso tour começou!

Assim que deixamos as malas no hotel já fomos almoçar e começamos, claro, pelos riquíssimos cevices chilenos. Na minha opinião, são todos lindos e interessantes, com sabores e ingredientes típicos dos Andes e, como não poderia deixar de ser, com uma boa dose de pimenta ou molhos mais picantes para dar o toque final.

Esses são os pratos que mais gostamos! (acima). Ambos são do bar e restaurante República del Pisco, elaborados com milho branco, o famoso amarelo tostado  e um delicioso Camote, uma espécie de batata doce que dá um toque especial à receita, tanto em sua forma genuína, levemente cozida, como um molho suavemente picante sobre o peixe. Para fechar a noite, degustamos um saboroso pisco oferecido por Alex, um rapaz simpático e divertido que nos atendeu. Ali começamos a entender exatamente a diferença entre o drink chileno e o peruano e, cá para nós, adorei os dois, ainda prefiro a versão chilena, com o sabor mais acentuado do pisco e sem a clara de ovo que faz a espuma da versão original peruana.

No dia seguinte, como combinado, lá fomos nós rumo ao “Centrão”! Uma ótima surpresa, aliás, porque ali Santiago se revela realmente como uma cidade limpa e organizada, com uma segurança tão eficiente que nos permite andar a pé por todos os cantos. Como foi bom sentir essa paz, que chega a ser transmitida no ar, ainda mais quando vivemos em uma metrópole como São Paulo! 

Nossa ideia era almoçar no badalado bairro da Bela Vista, mas ao chegar no Mercado Municipal resolvemos provar a famosa Centolla! E aqui vale uma boa dica: Como o crustáceo é uma verdadeira iguaria e seu valor é bem alto, é possível pedir a peça inteira, que vem à mesa quente e cozida no vapor, ou provar uma porção onde a carne já vem desfiada e fria, para degustar como aperitivo. Nós acabamos experimentando esta segunda opção, mais em conta, mas confesso que depois achamos que teria valido a pena experimentá-la por inteiro. Afinal, quando voltaremos lá novamente, não é mesmo? Preparem os bolsos! (Rss)

Uma outra dica que não poderia deixar de dar é o incrível Mestizo. Para quem gosta de lugares mais badalados e com o requinte dos restaurantes modernos, é uma ótima opção. Sem contar que a vista para o imponente bairro de Las Condes é maravilhosa. Chegamos lá no finalzinho da tarde, exatamente para curtir mais o visual, e então nos estendemos para o jantar. Sem dúvida, um momento muito feliz e que mereceu um brinde especial!!! Guarde bem esse nome, Gran Terroir de Los Andes – Carmenere 2016. Sem dúvida, o melhor vinho da viagem!!!

(Olha a gente aí!!) E assim fomos seguindo a viagem, com boas doses de vinho, brindes, visitas a lugares encantadores, como a casa de Neruda (La Chascona), boa gastronomia, e muita troca! Passamos também um dia inteiro em Valparaíso, maravilhooooooooso, e que nos emocionou muito, mas essa é uma história que, com certeza, merece um capítulo a parte! 

No nosso último dia, em pleno domingão, para fechar com chave de ouro, optamos por curtir um pouquinho mais o clima de Santiago, azulzinho e ensolarado por sinal!! Logo pela manhã, eu e minha irmã subimos o Cerro Santa Lucia, um lugar belíssimo e de onde podemos ver boa parte da cidade. Fomos também até o Palácio de La Moneda e seguirmos com a mamma para direto para Bela Vista. Foi então que descobri que os hambúrgueres e sanduíches estão muito mais difundidos do eu que pensava!!! Assim como as cervejas e suas mais variadas versões. Paramos no Ciudad Vieja para degustar uma das mais típicas do Chile, a Austral, muito leve e saborosa, com tipos que vão da lager à dark ale. E como não resistimos (Rss), pedimos aquele big sanduíche de carne desfiada com batatas fritas!

Passamos depois pelo Pátio Bela Vista, um verdadeiro shopping gastronômico a céu aberto, com bares, restaurantes, cafés e lojas de todos os tipos. E na volta para “casa”, como não poderia faltar, paramos numa das principais sorveterias de Santiago, a Emporio La Rosa! Tomamos um belo sorvete de dulce de leche, além de experimentar o inédito sabor de “rosas”, especialidade da casa, e passeamos um pouquinho pela “feirinha” para aproveitar o entardecer em nossa querida Lastarria

Ahhhhhhhhh, à noite? Fomos brindar mais uma vez essa experiência incrível, é claro! Unica e gratificante que é estar entre mãe e filhas. E faço questão de deixar aqui minha homenagem aos produtores de vinhos chilenos, pois todos os que experimentamos são de uma qualidade ímpar! E graças a eles, minha viagem com ELAS se tornou ainda mais especial!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Vista de Valparaíso em “la Sebastiana”

por Juliana Delgado – Santiago, Chile, out 2018

O que dizer sobre essa experiência marcante em Valparaíso? Foi só um trechinho da nossa “saga” por Santiago – eu, minha mãe e irmã, juntas pela primeira vez para comemorar os 70 anos da mamma – Mas o sentimento que fica é de puro encanto e magia, especialmente após visitar um dos refúgios do poeta Pablo Neruda, “La Sebastiana”, com sua personalidade ímpar e uma vista estarrecedora para os cerros e o oceano pacífico.

La Sebastiana e sua vista para Valparaíso.

Como ele mesmo dizia, “Soy un constructor”, de poesias, casas, estátuas e histórias … E é com esse olhar que me volto a Valparaíso, onde a cidade parece criar seu próprio movimento. Subindo por ruelas entre as colinas e revelando casas coloridas do século XIX e início do XX, no melhor estilo vitoriano, neoclássico e art noveau. Algumas de suas construções, inclusive, espalhadas por Cerro Alegre e Cerro Concepción, estão muito bem conservadas. Não é à toa que, em 2003, o grande porto do centro Chile foi declarado, pela Unesco, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Título merecido!

E contornando as ruas da cidade, nos deparamos com os cantos e lugares mais inusitados. Muitos deles com bares despojados, cafés e, claro, como não poderia faltar, restaurantes modernos e com gastronomia de primeira linha! Nós tivemos a sorte de contar com o bom gosto da irmã e suas pesquisas pelo google (rss). Então fomos experimentar um lugar bem diferenciado, daqueles que as excursões e motoristas não costumam nos levar: La caperucita y el lobo! Guarde bem esse nome! É um lugar sensacional, no Cerro Florida, e que vale muito, mas muito a pena mesmo conhecer!

Almoçamos por lá e tivemos um momento delicioso … com uma boa taça de vinho rosé e uma vista privilegiada para Valparaíso ( o mar está a frente do terraço). Contamos também com a simpatia e profissionalismo da proprietária Carolina, que juntamente com seu marido e outras jovens profissionais como ela fizeram toda a diferença, tornando o lugar ainda mais especial!

Aliás, a história de “La Caperu”, como é carinhosamente chamada por eles, merece um destaque à parte. Sediada na luminosa e acolhedora casa da “abuela de la Caperucita”, o casal Carolina e Leandro foram atribuindo à antiga construção uma nova e sutil identidade. E em janeiro de 2013, conservando a base e detalhes históricos que remetem aos bons tempos das reuniões em família, abriram as portas ao público com o toque de vanguarda da boa cozinha contemporânea!

Sobre o menu!!??. Ahhhhhh, nós experimentamos alguns pratos bem peculiares. Os “Choritos Salteados” são um deles, elaborado com mexilhões frescos, vinho e um creme a base de erva doce,  coentro e limão. Muuuuuuuito saboroso!!! A entrada foi uma receita bem “modernosa” e que nunca tínhamos provado: Espuma de pescada e “polvo de piure” (polvo em pó), servida em conchas grandes e parecidas com os mexilhões. Em seguida, eu e a mamma pedimos um prato bem suave, com merluza e creme de feijões verdes, típicos do Chile. E para acompanhar o café, vieram como cortesia pequenos tabletes de marshmalow com caramelo. Ótimo  para nos dar um “up” e seguirmos com o passeio!

Além disso, o menu também é composto por peixes, carnes, massas, cevices, risotos e sobremesas diferenciadas. Sempre com um “que” de inovação, alimentos da reigião e o bom humor dos nossos anfitriões! “Gracias por la hospitalidad Caperu!”. Com vocês, a poesia de Neuda no ar e o oceano pacífico ao fundo, nossa passagem por Valparaíso se tornou muito mais envolvente e emocionante! E como não poderia deixar de passar pra você, quando for até lá, reserve um hotel no alto da montanha, com vista para o mar, e fique pelo menos por uma noite. Não pudemos fazer isso, mas tenho certeza que a magia deve ser em dobro! Depois me contem!!

O Casal Leandro e Carolina

Abração e até a próxima!

Para visitar “La Caperucita y El Lobo”, é bom fazer uma reserva antecipada.

Confira as informações completas no site: https://www.lacaperucitayellobo.cl

Para “La Sebastiana”, basta chegar.

Cheque antes os dias e horários de funcionamento e valores do ingreso, através do site da Fundação Pablo Neruda: https://fundacionneruda.org/museos/casa-museo-la-sebastiana/

E buon viaje!!

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