Lançamento de Ponto Chic imita sabor e textura de carne

Lançamento de Ponto Chic imita sabor e textura de carne

Lançamento de Ponto Chic imita sabor e textura de carne

Sanduíche Chic do Futuro.

Casa aposta em opção para quem quer reduzir consumo de carne.

27/08/2019 – por Mariana Grosche e Mariana Veltri

O clássico dos sanduíches da capital paulista aderiu ao futuro. Ponto Chic lançou neste mês o Chic do Futuro. Um delicioso hambúrguer, sem carne, mas com o incrível sabor dessa proteína. Uma opção para quem está deixando de comer carne, mas que não resiste ao seu gostinho.

O proprietário Rodrigo Alves, a quarta geração à frente da casa, o que mais tem é história pra contar. Seu avô, Antônio Alves de Souza, chegou a trabalhar como garçom nos anos 50, onde fez escola. Mais tarde veio o filho, José Carlos Alves de Souza, e depois veio Rodrigo, que ao invés de mesada, ganhou do pai uma carteira azul (de trabalho), indicando ali seu início nos negócios da família. Hoje o Ponto Chic tem três lojas, e quem comanda são eles mesmos. “A gente compartilha a gestão, nós três que tocamos, não é franquia”, conta o neto.

Para os adoradores de histórias, o Ponto Chic surgiu na Semana de Arte Moderna de 1922, e era frequentado por artistas, intelectuais e universitários. Foi feito até um livro: “Ponto Chic – Um bar na história de São Paulo”, de Angelo Iacocca. As Marianas até ganharam uma edição dele (quem sabe sai uma nova matéria daí?).

Rodrigo autografando o livro elaborado por ele sua família.

O clássico Bauru foi uma sugestão de um cliente, que era daquela cidade e que estudava em São Paulo, e sugeriu ao chapeiro os ingredientes (pão francês, fatia de rosbife, tomate, pepino e o queijo). O sanduíche agradou ao paladar dos amigos paulistanos, que queriam um sanduíche igual ao do “Bauru”. Desde então, a receita se espalhou por São Paulo e pelo Brasil afora. “Nosso diferencial é o rosbife e tem vários segredinhos. O preparo vai desde o pão até a mistura de queijos derretidos em banho-maria”, revela Rodrigo.

Não à toa, eles continuam atentos e fazendo as adaptações. “Se foi um cliente que nos deu um carro-chefe, quem somos nós para não ouvirmos o cliente? A gente sempre tem adaptações e inovações. Ninguém fica 97 anos aberto, parado, imóvel. Na década de 90 surgiu o Beirute, um cliente quis no pão sírio, outro quis Bauru no pão sírio, e por aí vai”, exemplifica.

Tudo o que fazem não é pela tendência momentânea. “Por nossos valores, seguirmos o tradicional, a gente espera a coisa se consolidar um pouco mais para incorporarmos”, diz.

Foi assim que surgiu o Chic do Futuro, um lançamento com hambúrguer, 100% vegetal. Um produto de alta tecnologia, da empresa Fazenda do Futuro. A partir de pesquisas de laboratório, foi desenvolvido um hambúrguer de planta, com todo o quadro nutricional da carne bovina. Ele imita o sabor e a textura da carne. As Marianas conferiram e é impressionante, porque até sangra.

“Tem óleo de beterraba, enfim, toda uma tecnologia aí envolvida. Muitos clientes pediram opções pra gente de vegetariano. Essa questão de diminuir o consumo da carne, já não é uma tendência, é uma realidade, principalmente nos mais jovens. Os turistas estrangeiros também, 50% deles são vegetarianos. E quando chegou esse produto, que é realmente revolucionário, vimos que atenderia o público muito bem, então a gente introduziu em nosso cardápio. Com esse lançamento, nosso foco é para quem quer reduzir o consumo de carne”, explica Rodrigo.

E assim mais um produto é introduzido para a história do Ponto Chic. Só por curiosidade, em janeiro a Lei Estadual 16.914/2018 reconheceu o Bauru como Patrimônio Imaterial do Estado de SP. “Oficialmente o Bauru é o representante da gastronomia do paulista. A prefeitura, na semana da Jornada do Patrimônio, colocou algumas placas que são a ‘Memória Paulistana’. São coisas importantes, em locais onde aconteceram. E no Ponto Chic colocaram a placa: ‘Aqui foi inventado o sanduíche’. Então foi um reconhecimento pelo Departamento de Patrimônio Histórico da cidade, reconhecendo aqui como local”, comemora o proprietário.

Para os curiosos e apreciadores de novidades, corram até o Ponto Chic e arrisquem o Chic do Futuro!

 

O segredo de uma das mais tradicionais pizzas paulistanas

O segredo de uma das mais tradicionais pizzas paulistanas

O Blog da Chef põe a mão na massa e vê que para fazer uma saborosa pizza, basta um simples toque!

por  Mariana Veltri

As Marianas aprovaram tanto a pizza da Babbo Giovanni que voltaram para o evento “Pizza em Pauta”, que rolou no dia 27/02, na franquia da Móoca, o coração da pizza na cidade de SP. Na ocasião, profissionais da gastronomia e jornalistas puderam pôr a mão na massa e se deliciar com as pizzas feitas por cada um.

Giovanni Tussatto Neto, proprietário da rede, apresentou um workshop dos primórdios da Babbo, implantada por seus avós até os dias de hoje, suas franquias e o segredo da tradição, que enaltece a marca em cada loja.

Feito o workshop… hora de revelar a receita! Todos puderam assistir o preparo da tão famosa massa! A massa é um alimento que recebe a interferência de qualquer sentimento na hora de preparar. Cuidado ao cozinhar, se estiver com sentimentos negativos, é provável que a massa não atinja o ponto ideal! “O segredo da massa é a mão do pizzaiolo, o jeito de fazer. O carinho e a atenção colocados na comida é que dão o sabor”, garante Giovanni Neto.

Depois, lá fomos nós colocar a mão na massa. Preparamos uma novidade no cardápio, Pizza Vegana, com abobrinha ao forno e berinjela ao alho e azeite, palmito e tomate seco. A outra, foi a famosa da casa, Portofino, que vai muçarela, gorgonzola, presunto parma e geleia de figo. Sem contar o delicioso molho de tomate da casa que acompanha as pizzas. De fato, os sentimentos interferem na massa e se não estiver focado… dá ruim! Só que as nossas… foi de-lí-ciaaa!

Além da tradição, uma curiosidade é que todas as massas de pizza da Babbo Giovanni são totalmente veganas!! Fica a dica! Se você é vegetariano ou vegano, basta adaptar ao seu paladar ou pedir a de sua preferência.

A Babbo representa a típica pizza paulistana, com padrão original, focando na massa. A massa pode ser integral ou normal, traz no cardápio os sabores tradicionais como a Portuguesa que chega a pesar mais de 1kg!! Além de pizzas mais exóticas.

Em 100 anos de existência, a marca chega a 16 lojas atualmente. E cada adaptação no cardápio é feita uma curadoria e toda uma seleção para isso.

A Babbo Giovanni compartilha com o Blog da Chef a receita de sua deliciosa massa de pizza. Segredinho revelado a todos! Agora é só se deliciar!

Quantidade aproximada de ingredientes:

  • 1 kg farinha de trigo
  • 500 ml água
  • 20 g sal
  • 5 g açúcar
  • 20 g fermento biológico
  • 20 ml óleo ou azeite

 

Modo de preparo:

Coloque a farinha numa vasilha grande.

Misture num recipiente o óleo, fermento, sal e açúcar. Acrescente essa mistura à farinha.

Acrescente a água e sove a massa, até ficar no ponto de massa de pão.

Corte pedaços de 400 g e boleie para tirar o ar e deixar a massa em forma de “bola”.

Descanse por 2h antes de abrir o disco e cobrir com o recheio de preferência.

Experiência é tudo!!

Experiência é tudo!!

Experiência é tudo!!

por Juliana Delgado – Santiago – Chile, 22/11/2018.

Então lá fomos nós, eu, minha mãe e irmã, comemorar os 70 anos da mamma pela terra de Neruda! Foi simplesmente incrível, não só por estarmos prestes a realizar uma verdadeira saga gastronômica, repleta de bons vinhos chilenos, cevices e frutos do mar, mas principalmente por estarmos juntas, pela primeira vez, compartilhando momentos únicos de afeto e fortalecendo ainda mais os nossos laços. Acredito, cada vez mais, que esse é o tipo de experiência que fica, transforma e que levamos para a vida inteira. Hummmm, já deu até aquele “gostinho de quero mais!”.

Queríamos passar os quatro dias que tínhamos de uma forma tranquila, para ficarmos bem a vontade, poder passear a pé até o centro da cidade e, ao mesmo tempo, curtir o toque boêmio de Santiago. Então nos hospedamos no bairro de Lastarria, uma região super charmosa, aconchegante e bem localizada.

Lastarria é cativante, cercada de verde e com uma graciosa feirinha de artesanato e artistas de rua.  É uma região que transpira arte e cultura e ainda conta com restaurantes, bares e cafés deliciosos para os mais variados gostos e bolsos. E foi exatamente lá onde nosso tour começou!

Assim que deixamos as malas no hotel já fomos almoçar e começamos, claro, pelos riquíssimos cevices chilenos. Na minha opinião, são todos lindos e interessantes, com sabores e ingredientes típicos dos Andes e, como não poderia deixar de ser, com uma boa dose de pimenta ou molhos mais picantes para dar o toque final.

Esses são os pratos que mais gostamos! (acima). Ambos são do bar e restaurante República del Pisco, elaborados com milho branco, o famoso amarelo tostado  e um delicioso Camote, uma espécie de batata doce que dá um toque especial à receita, tanto em sua forma genuína, levemente cozida, como um molho suavemente picante sobre o peixe. Para fechar a noite, degustamos um saboroso pisco oferecido por Alex, um rapaz simpático e divertido que nos atendeu. Ali começamos a entender exatamente a diferença entre o drink chileno e o peruano e, cá para nós, adorei os dois, ainda prefiro a versão chilena, com o sabor mais acentuado do pisco e sem a clara de ovo que faz a espuma da versão original peruana.

No dia seguinte, como combinado, lá fomos nós rumo ao “Centrão”! Uma ótima surpresa, aliás, porque ali Santiago se revela realmente como uma cidade limpa e organizada, com uma segurança tão eficiente que nos permite andar a pé por todos os cantos. Como foi bom sentir essa paz, que chega a ser transmitida no ar, ainda mais quando vivemos em uma metrópole como São Paulo! 

Nossa ideia era almoçar no badalado bairro da Bela Vista, mas ao chegar no Mercado Municipal resolvemos provar a famosa Centolla! E aqui vale uma boa dica: Como o crustáceo é uma verdadeira iguaria e seu valor é bem alto, é possível pedir a peça inteira, que vem à mesa quente e cozida no vapor, ou provar uma porção onde a carne já vem desfiada e fria, para degustar como aperitivo. Nós acabamos experimentando esta segunda opção, mais em conta, mas confesso que depois achamos que teria valido a pena experimentá-la por inteiro. Afinal, quando voltaremos lá novamente, não é mesmo? Preparem os bolsos! (Rss)

Uma outra dica que não poderia deixar de dar é o incrível Mestizo. Para quem gosta de lugares mais badalados e com o requinte dos restaurantes modernos, é uma ótima opção. Sem contar que a vista para o imponente bairro de Las Condes é maravilhosa. Chegamos lá no finalzinho da tarde, exatamente para curtir mais o visual, e então nos estendemos para o jantar. Sem dúvida, um momento muito feliz e que mereceu um brinde especial!!! Guarde bem esse nome, Gran Terroir de Los Andes – Carmenere 2016. Sem dúvida, o melhor vinho da viagem!!!

(Olha a gente aí!!) E assim fomos seguindo a viagem, com boas doses de vinho, brindes, visitas a lugares encantadores, como a casa de Neruda (La Chascona), boa gastronomia, e muita troca! Passamos também um dia inteiro em Valparaíso, maravilhooooooooso, e que nos emocionou muito, mas essa é uma história que, com certeza, merece um capítulo a parte! 

No nosso último dia, em pleno domingão, para fechar com chave de ouro, optamos por curtir um pouquinho mais o clima de Santiago, azulzinho e ensolarado por sinal!! Logo pela manhã, eu e minha irmã subimos o Cerro Santa Lucia, um lugar belíssimo e de onde podemos ver boa parte da cidade. Fomos também até o Palácio de La Moneda e seguirmos com a mamma para direto para Bela Vista. Foi então que descobri que os hambúrgueres e sanduíches estão muito mais difundidos do eu que pensava!!! Assim como as cervejas e suas mais variadas versões. Paramos no Ciudad Vieja para degustar uma das mais típicas do Chile, a Austral, muito leve e saborosa, com tipos que vão da lager à dark ale. E como não resistimos (Rss), pedimos aquele big sanduíche de carne desfiada com batatas fritas!

Passamos depois pelo Pátio Bela Vista, um verdadeiro shopping gastronômico a céu aberto, com bares, restaurantes, cafés e lojas de todos os tipos. E na volta para “casa”, como não poderia faltar, paramos numa das principais sorveterias de Santiago, a Emporio La Rosa! Tomamos um belo sorvete de dulce de leche, além de experimentar o inédito sabor de “rosas”, especialidade da casa, e passeamos um pouquinho pela “feirinha” para aproveitar o entardecer em nossa querida Lastarria

Ahhhhhhhhh, à noite? Fomos brindar mais uma vez essa experiência incrível, é claro! Unica e gratificante que é estar entre mãe e filhas. E faço questão de deixar aqui minha homenagem aos produtores de vinhos chilenos, pois todos os que experimentamos são de uma qualidade ímpar! E graças a eles, minha viagem com ELAS se tornou ainda mais especial!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Valparaíso, Neruda e “La caperucita y el lobo”!

Vista de Valparaíso em “la Sebastiana”

por Juliana Delgado – Santiago, Chile, out 2018

O que dizer sobre essa experiência marcante em Valparaíso? Foi só um trechinho da nossa “saga” por Santiago – eu, minha mãe e irmã, juntas pela primeira vez para comemorar os 70 anos da mamma – Mas o sentimento que fica é de puro encanto e magia, especialmente após visitar um dos refúgios do poeta Pablo Neruda, “La Sebastiana”, com sua personalidade ímpar e uma vista estarrecedora para os cerros e o oceano pacífico.

La Sebastiana e sua vista para Valparaíso.

Como ele mesmo dizia, “Soy un constructor”, de poesias, casas, estátuas e histórias … E é com esse olhar que me volto a Valparaíso, onde a cidade parece criar seu próprio movimento. Subindo por ruelas entre as colinas e revelando casas coloridas do século XIX e início do XX, no melhor estilo vitoriano, neoclássico e art noveau. Algumas de suas construções, inclusive, espalhadas por Cerro Alegre e Cerro Concepción, estão muito bem conservadas. Não é à toa que, em 2003, o grande porto do centro Chile foi declarado, pela Unesco, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Título merecido!

E contornando as ruas da cidade, nos deparamos com os cantos e lugares mais inusitados. Muitos deles com bares despojados, cafés e, claro, como não poderia faltar, restaurantes modernos e com gastronomia de primeira linha! Nós tivemos a sorte de contar com o bom gosto da irmã e suas pesquisas pelo google (rss). Então fomos experimentar um lugar bem diferenciado, daqueles que as excursões e motoristas não costumam nos levar: La caperucita y el lobo! Guarde bem esse nome! É um lugar sensacional, no Cerro Florida, e que vale muito, mas muito a pena mesmo conhecer!

Almoçamos por lá e tivemos um momento delicioso … com uma boa taça de vinho rosé e uma vista privilegiada para Valparaíso ( o mar está a frente do terraço). Contamos também com a simpatia e profissionalismo da proprietária Carolina, que juntamente com seu marido e outras jovens profissionais como ela fizeram toda a diferença, tornando o lugar ainda mais especial!

Aliás, a história de “La Caperu”, como é carinhosamente chamada por eles, merece um destaque à parte. Sediada na luminosa e acolhedora casa da “abuela de la Caperucita”, o casal Carolina e Leandro foram atribuindo à antiga construção uma nova e sutil identidade. E em janeiro de 2013, conservando a base e detalhes históricos que remetem aos bons tempos das reuniões em família, abriram as portas ao público com o toque de vanguarda da boa cozinha contemporânea!

Sobre o menu!!??. Ahhhhhh, nós experimentamos alguns pratos bem peculiares. Os “Choritos Salteados” são um deles, elaborado com mexilhões frescos, vinho e um creme a base de erva doce,  coentro e limão. Muuuuuuuito saboroso!!! A entrada foi uma receita bem “modernosa” e que nunca tínhamos provado: Espuma de pescada e “polvo de piure” (polvo em pó), servida em conchas grandes e parecidas com os mexilhões. Em seguida, eu e a mamma pedimos um prato bem suave, com merluza e creme de feijões verdes, típicos do Chile. E para acompanhar o café, vieram como cortesia pequenos tabletes de marshmalow com caramelo. Ótimo  para nos dar um “up” e seguirmos com o passeio!

Além disso, o menu também é composto por peixes, carnes, massas, cevices, risotos e sobremesas diferenciadas. Sempre com um “que” de inovação, alimentos da reigião e o bom humor dos nossos anfitriões! “Gracias por la hospitalidad Caperu!”. Com vocês, a poesia de Neuda no ar e o oceano pacífico ao fundo, nossa passagem por Valparaíso se tornou muito mais envolvente e emocionante! E como não poderia deixar de passar pra você, quando for até lá, reserve um hotel no alto da montanha, com vista para o mar, e fique pelo menos por uma noite. Não pudemos fazer isso, mas tenho certeza que a magia deve ser em dobro! Depois me contem!!

O Casal Leandro e Carolina

Abração e até a próxima!

Para visitar “La Caperucita y El Lobo”, é bom fazer uma reserva antecipada.

Confira as informações completas no site: https://www.lacaperucitayellobo.cl

Para “La Sebastiana”, basta chegar.

Cheque antes os dias e horários de funcionamento e valores do ingreso, através do site da Fundação Pablo Neruda: https://fundacionneruda.org/museos/casa-museo-la-sebastiana/

E buon viaje!!

Festival ZalaZ

Festival ZalaZ

O Festival ZalaZ “Da fazenda ao Copo” mostra em mais uma edição, que é possível unir cerveja de alta qualidade, comida típica da terra e um ambiente agradável entre amigos.

 

por Juliana Delgado – 17/10/18

E é isso mesmo o que a gente quer! Afinal, não há nada mais gostoso, e saudável, diga-se de passagem, do que reunir os amigos e a família em uma experiência diferente rumo à fazenda. Ainda mais quando se trata de um festival único, cheio de bossa, com cervejas artesanais de primeira linha e a comida típica da terra local.

Nesse ano, o Festival lançou 10 cervejas artesanais, sendo 8 colaborativas e 2 edições especiais da linha Ybirá, cervejas próprias envelhecidas especialmente em barris de madeira. Já para os apreciadores de café, foi lançado um novo lote do “Mago”, cultivado na própria fazenda e preparado pela barista Érika Takano.

Além disso, o Festival contou com a presença do fera Diego Belda, com seu famoso fogo de chão e um saborosíssimo porco na brasa com legumes sortidos. Sem contar com os geniais Fernando e Leonardo, da Cia dos Fermentados, com um molho fermentado de cenoura incrível, kombuchas e uma cerveja levíssima à base da bebida fermentada, produzida colaborativamente com a ZalaZ. Tudo isso acompanhado por um dia gostoso de sol, muito verde ao redor, e a  voz e energia contagiante de D. Paulinho Lima, com sua banda arrebatadora de Soul Music!

Não é à toa que o casal Junia e Fabrício, ambos engenheiros de produção, estão arrebentando. Juntos nessa empreitada desde 2010, quando ele ainda produzia as cervejas na panela, apostaram no projeto e inauguraram, em 2015, a cervejaria. Nesse ano já estão começando a participar de festivais gastronômicos internacionais, como foi o caso do Eurhop Roma Beer Festival, realizado em Roma durante os dias 12, 13 e 14 de outubro de 2018. E isso se deve, com toda certeza, à dedicação, competência e amor pelo que fazem. Além do carinho com o qual tratam todos e recebemos de sobra durante o Festival. É para termos muito orgulho dos nossos jovens produtores e da forma criativa com que estão fazendo acontecer a gastronomia brasileira!

Para falar um pouquinho mais sobre as cervejas do Festival ZalaZ – Da Fazenda ao Copo, convidei o sommelier de cervejas e engenheiro agrônomo, Marcelo Cunha, que me mostrou, acima de tudo, que a cerveja artesanal é uma bebida feita para degustar suavemente e harmonizar com o  cardápio de sua preferência.

“A mim, as cervejas que mais impressionaram foram as mais encorpadas, onde aromas e sabores estavam mais definidos e perceptíveis. A terceira das minhas escolhas foi a criação Dogma + Zalaz: uma Wee Heavy com doce de figo e chips de carvalho. Cerveja muito saborosa, adocicada, com sabor e aroma de figo bem presentes, mas não enjoativa para os que apreciam esse estilo de cerveja. Aliás, o dulçor dessa cerveja e os seus 8,8% de álcool harmonizaram perfeitamente com o prato de carne suína disponível no evento.

Minha segunda escolha foi criação colaborativa da Koala San, de Nova Lima/MG com a Zalaz: uma Imperial Porter com café e laranja amarga. Certamente o uso de produtos produzidos localmente trouxeram sabores excepcionais a essa cerveja. Forte, aveludada, licorosa, a presença do álcool era sutil, apesar dos 9,5%.

A grande surpresa, na minha opinião, foi a Ybyrá Avaré, cerveja elaborada com um blend de cervejas maturadas em barris, por 300 dias em média. Cerveja de corpo leve, com pouco menos de 7% de álcool e aroma e sabores intrigantes. A mim, lembrou muito a famosa Duchesse de Bour-gogne, de estilo FlandersRed Ale. A Avaré expôs aromas complexos de frutas vermelhas e uma leve acidez “avinagrada”, mas é na boca que os sabores se apresentaram divinamente: frutas vermelhas e amarelas, vinho, aceto balsâmico, vinagre, melaço… uma explosão de sabores para fechar o evento com chave de ouro. Certamente uma das melhores cervejas brasileiras que já tive o prazer de experimentar”.

Obrigada Marcelo, obrigada ZalaZ por toda essa experiência. E que venham os próximos!

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*A ZalaZ está localizada dentro da Fazenda Santa Teresinha e abre para visitas aos sábados, das 14h às 18h, com cervejas artesanais, cafés orgânicos e  porções com coisas da Fazenda: torresmo, linguiça, mandioca, entre outras comidas típicas. A entrada é franca e paga-se somente o que consumir. É importante apenas conferir no site se a loja estará aberta, devido aos eventos realizados fora da sede.

CONTATO

Fazenda Santa Terezinha, cx. p. 36

Estrada Paraisópolis – Consolação (MG-295), km 7.

Paraisópolis, MG

zalaz@zalaz.com.br | Whats (11) 98404-7855

Trampolim Startup Café: um salto para a humanidade

Trampolim Startup Café: um salto para a humanidade

As Marianas foram conhecer o café mais conceitual de São Paulo, que emprega pessoas com dificuldades e apoia os sonhos de seus funcionários

por Mariana Grosche e Mariana Veltri

“Um dia cheguei em casa, quiseram levar meu carro, deixei levarem, achava que era um roubo normal…” Foi aí que se iniciou a reviravolta na vida de Carlos Daniel Escalona Barroso, que levava uma vida normal na Venezuela.“Começaram a falar sobre meu trabalho, que sabiam os movimentos da minha família, o fato das coisas do trabalho em si. Aí fiquei com medo: pensei: é uma coisa séria…”

Jornalista na administração pública, trabalhou como gerente de produção de um canal da Venezuela e era uma pessoa de confiança de um alto escalão do governo. Carlos assinava os orçamentos do mês, quando então percebeu que as contas não estavam batendo. Comunicou seu superior a respeito, mas o mesmo pediu que ficasse quieto e apenas assinasse.

Carlos não queria se envolver nesses tipos de trâmites e tentou investigar a situação . Como um cala-boca, foi oferecida uma propina para que ele não se opusesse ao esquema. Desde então, não apenas Carlos, mas toda a sua família foi envolvida numa perseguição política que desembocou na chegada ao Brasil. Isso tudo parece um roteiro, mas é a história real de um jornalista que teve que deixar tudo para trás, virar a página e se descobrir chef de gastronomia.

Com a ameaça à família, Carlos e seus irmãos mandaram os pais ao Equador e cada irmão se refugiou em terras estrangeiras. O então jornalista chegou ao Brasil com apenas 40 dólares no bolso, em Manaus. Trabalhou 6 meses em Fortaleza, até que decidiu vir para São Paulo em busca de oportunidades. Foi aí que conheceu a ONG Estou Refugiado e o encaminharam para uma entrevista de emprego no Hotel Ibis, onde funcionaria um restaurante, no qual trabalharia como auxiliar de cozinha, já que sempre gostava de cozinhar nos encontros de amigos na Venezuela.

Hoje tem emprego fixo, com carteira assinada, mora no Tatuapé e participa assiduamente dos projetos sociais da ONG. A vida de Carlos foi uma das muitas vidas transformadas pelo Trampolim Startup Café.

Com a proposta de empregar refugiados e pessoas com dificuldades, que não têm por onde começar, essa empresa funciona como restaurante, café e coworking. As contratações funcionam a partir de parcerias também com outras ONGs, como AfroBusiness, Casa 1 e Centro Social Menino Jesus. Além das parcerias, o Trampolim vende mercadorias fornecidas por nanoprodutores, contribuindo com a economia local da periferia da capital paulista.

Para o Hotel Ibis, foi uma grande mudança. “O hotel está completando 15 anos esse ano. Era bem padronizado até 2 anos atrás. Com a mudança de gestão, essa padronização caiu. A partir disso, a gente decidiu pensar em um projeto que rentabilizasse e utilizasse melhor esse espaço (do Trampolim), que ficava sempre fechado, era ocioso”, explica João Clímaco, gerente do Trampolim e idealizador do projeto.

Quem ganha com isso são os clientes, que podem provar verdadeiras preciosidades caseiras, por um preço justo. “Fizemos uma degustação coletiva e elegemos os melhores. Acho que quando as pessoas sabem a procedência do que estão comendo, muda até o sabor, a comida fica melhor”, completa João.

Observa-se essa preocupação na elaboração do cardápio. Os próprios funcionários do local assinam os pratos oferecidos. A diversidade é imensa, desde pratos de diferentes nacionalidades a produtos regionais. Os alimentos fornecidos pelos nanoprodutores levam seus nomes, como o delicioso pudim de paçoca da Fabi.

O Café é apenas um trampolim para os funcionários. “Uma das coisas que a gente fala, é que as pessoas não têm que necessariamente pensar em trabalhar aqui, ou em outro restaurante pro resto da vida, mas que elas aproveitem a gente pra conseguirem realizar os sonhos dela”, diz o idealizador.

Sem contar o espírito de equipe entre eles. Um ajuda o outro nas funções. Os mais velhos costumam ajudar os novatos na adaptação do ambiente. “Minha vida mudou muito depois que eu vim pro Trampolim, principalmente porque eu ganhei uma família”, diz Mônica Lemos, que sonha em ter sua própria cozinha industrial.

Depois de uma reviravolta em sua família, perder sua cozinha industrial e passar por dificuldades, aliou-se à ONG AfroBusiness e recebeu a proposta para trabalhar no Café.“Voltei a estudar, já fiz vários cursos, tô fazendo inglês agora. Ano que vem, se Deus quiser, vou pagar minha faculdade de gastronomia”, sonha Mônica.

Essa experiência da cozinha no Startup, Mônica  leva para as palestras da ONG que ocorrem na periferia, e é considerada um exemplo de sucesso. “Procuro passar algo positivo: vamo que dá, gente!”, conta animada.

A troca de experiência entre refugiados e as pessoas da periferia é tão enriquecedora que torna o Trampolim uma promessa em inovação e olhar humanista. Vale conferir e bater um papo!!

Serviço:

Trampolim Startup Café

Rua da Consolação, 2303 – Consolação, São Paulo – SP, 01301-000

Horário de funcionamento: das segundas-feiras aos sábados, das 11h30 às 22h30

Telefone:  (11) 3123-7755

www.cafetrampolim.com.br

Facebook: @trampolimstartupcafe

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